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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Aranhas perigosas do Brasil e sua importância médica

Para que você que tem aracnofobia, então melhor nem começar a ler este post. Mas para você que gosta do mundo dos aracnídeos e se interessa por suas morfologias, então este post é pra você.


 https://bio-orbis.blogspot.com.br/2013/12/aranhas-perigosas-do-brasil-e-sua.html

VAMOS DESCOBRIR...

As aranhas pertencem ao filo dos artrópodes que tem como característica exclusiva um esqueleto externo composto principalmente de quitina. Essa proteção chamada de exoesqueleto lhes proporciona sustentação e redução da perda da água no meio terrestre.

Habitam praticamente todas as regiões da Terra, desde ilhas próximas à região da África até os limites sulinos dos continentes, com exceção da Antártida.

Todas as aranhas são carnívoras, alimentando-se principalmente de insetos e até mesmo de outras aranhas. A sua maioria vive solitariamente, mas porém algumas espécies apresentam hábitos sociais mais ou menos desenvolvidos, que podem ate possibilitar na captura de suas presas.
                                                  
MORFOLOGIA


Seu corpo se divide em duas partes: o prossoma (cefalotórax) e o opistossoma (abdome), unidos por um tubo estreito chamado pedicelo por onde passam o intestino, nervos e a hemolinfa. 


No cefalotórax articulam-se seis pares de apêndices: um par de quelíceras com dois segmentos: um segmento basal e um ferrão, que tem como função a inoculação de veneno e a manipulação e apreensão de alimento; um par de pedipalpos com seis segmentos que funciona como um órgão sensorial

Nos machos adultos, o último segmento é diferenciado em bulbo copulador, e quatro pares de pernas com sete segmentos para locomoção. No cefalotórax estão também situados os olhos, geralmente em número de oito, dispostos em duas ou três filas. 

O abdome, que não apresenta segmentação externa, com exceção de um pequeno grupo que vive na Ásia (Mesothelae), pode apresentar formatos exóticos. As fiandeiras, até três pares, ficam na região posterior do abdome e nelas localiza-se abertura das glândulas que secretam seda.

ARANHAS DE INTERESSE MÉDICO

A Organização Mundial de Saúde considera apenas quatro gêneros de aranhas com espécies que podem causar um envenenamento grave no ser humano: Latrodectus, Loxosceles, Phoneutria e Atrax. No Brasil, as aranhas perigosas pertencem aos três primeiros gêneros, totalizando cerca de 20 espécies.


Armadeira (Phoneutria)

Essas aranhas dão realmente medo, pois todas as espécies do gênero são agressivas. Quando se sentem ameaçadas, costumam apoiar-se nos dois pares de pernas traseiras, erguendo as dianteiras e os palpos, podendo saltar em direção do inimigo e picar com grande rapidez. O comportamento de se "armar" antes de atacar justificar o nome popular. A armadeira é capaz de saltar uma distância de até 40cm.

Possuem hábitos noturnos, caçam suas presas e as imobilizam pela ação do veneno. Não vivem em teias. São mais ativas durante a época do acasalamento. No Sudeste do país, ocorrem ocorrem com frequência nos meses de março e abril, quando causam um grande número de acidentes. Após a cópula, a fêmea permanece sedentária, cuidando da ooteca e o número de acidentes diminui.

Tamanho: Corpo - 3 cm; Total - 15 cm.

Habitat: Durante o dia, permanecem escondidas sob troncos, bromélias, bananeiras, palmeiras, e também junto às construções, em lugares escuros, como dentro de sapatos, atrás de móveis, cortinas, etc.


Hábitos: Ativa a noite, abriga-se durante o dia em lugares escuros.


Teia: Não vivem em teias.


Acidentes: Não foge quando surpreendida, coloca-se em posição de ataque, isto é, apoia-se nas pernas traseiras, ergue a dianteira e procura picar. Podendo saltar até 30 cm de distância para atacar. Também possui comportamento tanatose (fingir-se de morto) para poder atacar depois e surpreender quem a incomoda.


Principais espécies e distribuição geográfica: P. fera - região amazônica; P. nigriventer - ES, MS, MG, RJ, SP, PR, SC e RS; P. reidyi - região amazônica.



Aranha-marrom (Loxosceles)

Essas já são menores em tamanho e nada agressivas, mas com um veneno bem potente, porém picam somente quanto espremidas contra o corpo. As espécies distinguem-se principalmente por detalhes morfológicos das espermatecas, dos bulbos copuladores e também pela proporção dos artículos das pernas.

Tem hábitos noturnos, vivendo em teias irregulares, revestido de fendas de barrancos, sob e junto a raízes e casas de árvores, em folhas caídas de plameiras, em bambuzais, em cavernas, enfim, ocupando uma grande diversidade de habitats. Também são encontradas nas proximidades e dentro de residências, principalmente em regiões de clima frio, escondendo-se atrás de móveis, no sótão, em garagens, e porões, em entulhos de telha e madeira

Tamanho: Corpo - 1 cm; Total - 3 cm.

Habitat: Sob cascas de árvores, folhas secas de palmeiras, nas casas: atrás de móveis, sótãos, porões, garagens, etc.


Hábitos: Ativa durante à noite.


Teia: Teia irregular revestindo o substrato.


Acidentes: Pica quando espremida contra o corpo (roupa pessoal, na cama, etc.).


Principais espécies e distribuição geográfica: L. adelaide - Rio de Janeiro; L. amazonica - Norte e Nordeste do Brasil; L. gaucho - SP e MG; L. hirsuta - Sul do Brasil; L. intermedia - Sul do Brasil; L. laeta - espécie introduzida que ocorre em alguns focos isolados no Brasil; L. simili - SP e MG.



Viúva-negra (Latrodectus)

Essa são as famosas viúvas-negras. Tem esse nome devido que os machos que vivem na teia da fêmea e têm vida curta, morrendo geralmente logo após a cópula, podendo ocasionalmente servir de alimento para a sua "noiva", daí justificando o nome.

Essas aranhas não são agressivas, somente causando acidente quando são espremidas contra o corpo da vítima. Muitas vezes, para sua defesa, ao serem perturbadas, deixam-se cair da teia, permanecendo imóveis como se estivessem mortas.

As fêmeas fazem teias irregulares no meio de vegetações arbustiva, nas gramíneas, ocupando buracos de erosão em gramados. Também usando canaletas de água de chuva ou abrigam-se em latas vazias, pneus velhos etc.

O colorido das espécies brasileiras é negro e vermelho-vivo, como na espécie L. curacaviensis ou esverdeado ou acinzentado com machas alaranjadas, como na espécie cosmopolita L. geometricus. No ventre do abdome, há um desenho em forma de ampulheta de cor vermelha ou laranja. 

Tamanho: Corpo - 1,5 cm; Total - 3 cm.

Habitat: Em vegetações arbustiva, nas gramíneas, ocupando buracos de erosão em gramados. Também usam canaletas de água de chuva, podem abrigar-se em latas vazias, pneus velhos etc.


Hábitos: Ativa durante o dia.


Teia: Teia irregular suspensa entre a vegetação.


Acidentes: semelhante a Loxosceles (roupa pessoa, na cama e em colheita no campo). Somente as fêmeas são responsáveis pelos acidentes humanos.


Principais espécies e distribuição geográfica: L. geometricus - em todo o Brasil; L. curacaviensis - em todo o Brasil; L. mactans - em todo o Brasil. 

Fonte: Livro Animais Peçonhentos no Brasil, Biologia, Clínica e Terapêutica dos acidentes. Autores: João Luiz Costa Cardoso, Francisco Oscar de Siqueira França, Fan Hui Wen, Ceila Maria Sant' Ana Malaque e Vidal Haddad Jr. Editora: Sarvier. 2009


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