domingo, 1 de novembro de 2015

Avião solar não tripulado vai coletar dados atmosféricos de maneira inédita na Amazônia

O objetivo é levantar informações em áreas de difícil acesso para entender a dinâmica da floresta.

AtlantikSolar em teste na Suiça


Pela primeira vez, um avião solar não tripulado irá coletar dados atmosféricos da Amazônia. O equipamento batizado de AtlantikSolar – desenvolvido por cientistas do Laboratório de Sistemas Autônomos da universidade ETH, de Zurique, na Suíça – irá sobrevoar o estado do Pará em 22 de outubro. O voo entre Belém e Caxiuanã deve durar cerca de sete horas e será inteiramente acompanhado de barco pelos cientistas e por alguns dos parceiros locais do projeto.

Sensores instalados no avião irão coletar informações atmosféricas sobre ventos, umidade, temperatura e radiação em trechos da floresta nunca estudados anteriormente. O equipamento também possui uma câmera de alta resolução capaz de criar imagens em 3D e em infravermelho, o que pode ajudar a encontrar pessoas e animais em situações de desastre ou de difícil acesso.

Todos os dados coletados no voo serão armazenados pelo Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), que irá disponibilizar as informações aos parceiros. Os dados podem ajudar na condução de novos estudos sobre a região amazônica.

Hoje, no Brasil, esse tipo de informação é coletado por meio de redes de estações meteorológicas de superfície e por balões. De acordo com o Censipam, a Amazônia tem extensas áreas de floresta densa, fechada, com difícil acesso e logística complicada. Por isso, a instalação e a manutenção de sensores de superfície são extremamente complicadas.

Cientistas e os aviões AtlantikSolar - Foto: Divulgação
Informações meteorológicas são importantes para entender a dinâmica da floresta. Estudos mostram, por exemplo, que grande parte da umidade do Oceano Atlântico é transportada para a Floresta Amazônica pelos ventos. Essa umidade interage com os ciclos biogeoquímicos da floresta e segue até as regiões Sudeste e Sul do Brasil, levando as chuvas. “Esse tipo de aeronave pode oferecer informações mais precisas e com maior qualidade do que as geradas pelos satélites, de forma mais rápida e mais barata, tornando-se uma boa opção para aprimorar o monitoramento em áreas de médio porte”, diz Philipp Oettershagen, doutorando do ETH Zurique e responsável pela aeronave.

Para os suíços, o voo servirá como um teste para verificar a autonomia e a resistência da aeronave em condições climáticas diferentes das encontradas na Europa. O voo do AtlantikSolar foi autorizado pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e pelo Cindacta IV de Manaus (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo).

Em teste recente, entre 14 e 17 de julho, na Suíça, os criadores do AtlantikSolar já tinham conseguido uma autonomia de voo de 81 horas seguidas– um recorde mundial para aeronaves não tripuladas com menos de 50 kg. “Agora, a ideia é sobrevoar uma região completamente desconhecida”, diz Oettershagen. A longo prazo, os cientistas planejam cruzar o Oceano Atlântico – daí vem o nome do equipamento.

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