terça-feira, 21 de abril de 2015

Pequenos homens grandes

Hominídeos da Indonésia sugerem que os humanos não estão isentos de seleção natural.

Crânio de H. Floresensis
VAMOS DESCOBRIR...



"No início pensamos que fosse uma criança, talvez com 3 anos." Um exame revelou, porém, que os pequenos ossos, recém-desenterrados de uma caverna na ilha indonésia de Flores, pertenciam a um adulto plenamente amadurecido – mas com cerca de 1 metro de altura.

Será que havíamos achado um ser humano moderno cujo crescimento fora tolhido por alguma doença ou por desnutrição? Não. A ossada tinha aparência primitiva, e os outros restos mortais presentes em Liang Bua – “Caverna Fresca”, na língua local, o manggarai – indicavam que o esqueleto não era de nenhum espécime isolado. Na verdade, era típico de toda uma população de criaturas diminutas que no passado ocupou essa ilha remota. O que havíamos achado era um tipo até então desconhecido de ser humano.

De volta ao laboratório, onde analisamos os ossos e outros artefatos, a dimensão de nossa descoberta tornou-se mais clara. Esse pequeno parente dos seres humanos, a quem apelidamos de Hobbit, viveu há 18 mil anos, numa época em que o Homo sapiens – ou seja, pessoas como nós – já se dispersava por todo o planeta. Ele, no entanto, se parecia mais com uma versão reduzida de antepassados humanos 100 vezes mais antigos, encontrados na outra extremidade da Ásia.

Nós havíamos tropeçado em um mundo perdido: pigmeus sobreviventes de uma época anterior, vivendo à margem das principais correntes da pré-história humana. Quem seriam eles?

Com 300 quilômetros de comprimento e situada entre a Ásia e a Oceania, a ilha de Flores nunca esteve ligada por pontes de terra a qualquer dessas massas continentais. Mesmo nos períodos em que o nível do mar estava baixo, a navegação da Ásia até Flores, com escalas, exigia travessias oceânicas de até 24 quilômetros. Antes que os seres humanos começassem a levar animais, como porcos e cães, para a ilha, há 4 mil anos, os únicos mamíferos que lá chegaram foram os estegodontes (um antepassado dos elefantes) e roedores – os primeiros, nadando, e estes, de carona em troncos à deriva. Nenhum povo chegou a Flores até os homens modernos, dotados de inteligência suficiente para construir barcos. Pelo menos, era isso o que sustentavam os cientistas.

Nas décadas de 1950 e 1960, entretanto, o padre Theodor Verhoeven, arqueólogo amador, já encontrara sinais de presença humana anterior em Flores. Na bacia de Soa, ele achou instrumentos de pedra, junto a fósseis de estegodonte, cuja idade estima-se de 750 mil anos. Uma vez que o Homo erectus, um hominídeo arcaico, encontra-se na ilha vizinha de Java há pelo menos 1,5 milhão de anos, Verhoeven concluiu que espécimes de H. erectus haviam conseguido atravessar o mar e chegar a Flores.

Tais alegações extraordinárias não impressionaram os arqueólogos profissionais. Na década de 1990, porém, outros pesquisadores recuaram a idade dos artefatos da bacia de Soa para 840 mil anos. Verhoeven estava certo: os hominídeos haviam chegado a Flores bem antes de a ilha ser alcançada por humanos modernos. Todavia, nenhuma ossada deles jamais fora encontrada.

Foi isso o que nos levou à ilha, até Liang Bua, no planalto ocidental de Flores. "Em setembro de 2003, nossa equipe de pesquisadores indonésios e australianos, auxiliados por 35 trabalhadores manggarais, já escavara 6 metros no piso da caverna. As camadas recentes eram ricas em instrumentos líticos e ossos de animais, mas ainda assim parecia difícil atingir nosso objetivo."

Artigo Completo: National Geographic Brasil

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Como os ancestrais humanos seguravam as coisas?

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Nova espécie de ancestral humano descoberta

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