sábado, 6 de dezembro de 2014

O "fim" do Cerrado brasileiro?

Apetite por carne destrói cerrado brasileiro. Agronegócio consome o segundo maior bioma do país. Esgotando o solo rico deste lindo ecossistema.

 https://bio-orbis.blogspot.com/2014/12/o-fim-do-cerrado-brasileiro.html

VAMOS DESCOBRIR...

Ao sul e ao leste da Amazônia, o ar fica mais seco e a úmida floresta tropical dá lugar a vastas manchas verde-esmeralda de pastagens irrigadas, aninhadas em meio a arbustos lenhosos e descampados. O cerrado é um tipo distinto de paisagem, muito mais ameaçado que a Amazônia.

Essa “savana tropical” constitui a maior e mais prolífica região de biodiversidade do Brasil e da América do Sul [depois da Amazônia], abrigando 5% de toda a vida no planeta. Infelizmente, a agricultura industrial está destruindo rapidamente essa paisagem única. E cientistas advertem que sua rápida transformação é uma bomba-relógio que pode afetar significativamente o ciclo global de carbono, se o atual ritmo de devastação continuar.

Essa imensa extensão na região central do Brasil já foi tão impenetrável quanto a mais densa floresta tropical, tão isolada que os colonos portugueses a chamaram “cerrado”. Atualmente, estradas conectam suas fronteiras meridionais, nos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, aos seus limites setentrionais, a mais de 2.400 kmde distância, perto da costa do Atlântico. Ainda assim, o cerrado é em grande parte desconhecido, mesmo no Brasil. Esse é um vasto mosaico de amplas planícies, rios flanqueados por esguias palmeiras e florestas densas formadas por um emaranhado de árvores de aspecto atrofiado, de casca grossa.

Mas a verdadeira “floresta” aqui é subterrânea — um imenso sistema de raízes e galhos profundamente enterrado para sobreviver a incêndios florestais e procurar por [fontes de] água durante os longos períodos de estiagem. Até a década de 50, o solo era considerado pobre demais para o cultivo, razão pela qual a região permaneceu praticamente intocada. Mas nos anos 60, agrônomos descobriram que o cerrado podia se tornar extraordinariamente produtivo com o acréscimo de cal para reduzir a acidez do solo.

TUDO MUDOU

Com o suporte de fertilizantes químicos, o árido cerrado de repente começou a produzir culturas comerciais em larga escala, como milho, cana-de-açúcar, algodão e, acima de tudo, soja. É o cultivo dessa milagrosa leguminosa, mais que qualquer outra planta, que está permitindo à China saciar a fome de sua crescente classe média por hambúrgueres, bifes e bacon; além de lhe permitir exportar tudo, de peixes a cosméticos, a garrafas de água de aço inoxidável e quinquilharias baratas de plástico.


Entre 2001 e 2005, só a sojicultura foi responsável por 10% do desmatamento amazônico. Isso suscitou um protesto global que resultou em uma moratória do cultivo da planta na região da floresta tropical, o que ajudou a conter o desmatamento. Mas essa reação também ajudou a deslocar sua produção para o cerrado: em 2013, cerca de 60% da soja brasileira eram cultivados ali.

Hoje, mais da metade de sua paisagem nativa já foi desmatada para dar lugar a plantações e à pecuária. E agora a região é um modelo global para o desenvolvimento de outras regiões de savana na África e na América do Sul.

Até recentemente, isso era tido inequivocamente como algo positivo; um uso produtivo de uma terra de outra forma considerada “ociosa e desperdiçada”. Mas a escala desse desenvolvimento tornou-se fonte de grande preocupação para cientistas e ativistas ambientais, em vista da rica biodiversidade da região.

O cerrado contém quase 12 mil espécies de plantas, mais espécies endêmicas que em toda a Amazônia, além de mais de 800 espécies de aves e animais raros e/ou em extinção, como o tamanduá-bandeira, a onça-pintada e o tatu-bola. Mas há outra inquietação; uma que até recentemente recebeu pouca atenção. À medida que mais e mais terras do cerrado estão sendo lavradas, aquela rica floresta subterrânea está morrendo, liberando quantidades significativas de carbono e favorecendo o aumento do risco de incêndios altamente destrutivos na Amazônia.

O impulso para maximizar o potencial econômico do cerrado ofuscou, de longe, os esforços para protegê-lo. Consumidores americanos, chineses e europeus de carne, alimentos processados e dos inúmeros outros produtos derivados da soja brasileira continuam, em grande parte, alheios ao seu papel na destruição desse valioso ecossistema e “sumidouro de carbono” (“carbon sink”, em inglês).

O cerrado brasileiro é um vasto mosaico de amplas planícies cobertas por pradarias, rios flanqueados por palmeiras esguias e densas matas formadas por um emaranhado de árvores de aspecto atrofiado e casca espessa. É o segundo maior bioma do Brasil depois da Amazônia.
Mas Danilo Neves e Marcelo Simon veem a conexão claramente. Os dois biólogos brasileiros estão documentando espécies leguminosas no cerrado, na tentativa de preencher as lacunas no conhecimento científico sobre as relações entre plantas e sua evolução em meio a diferentes condições de solo e clima.

Em um dia ameno em junho, início do inverno aqui no hemisfério sul, eles estavam no meio de uma expedição de campo de 12 dias e mais de 2.500km financiada pelo Natural Environment Research Council do Reino Unido, coordenado pelo Real Jardim Botânico de Edimburgo. Sua missão: usar genética vegetal para ajudar cientistas a prever como mudanças climáticas e desenvolvimento agropecuário alterarão a paisagem do cerrado e de seus arredores, inclusive a Amazônia, antes que isso se torne uma realidade.

Simon é cientista na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Embrapa, instituto que desempenhou papel fundamental na conversão agrícola do cerrado nas décadas de 60 e 70. Formado em Oxford, ele se concentra em proteger o restante do cerrado ao documentar suas espécies de plantas nativas. Seu inglês é reticente, pontuado por um sotaque britânico-brasileiro, salpicado com um humor seco, mas aguçado.


“Todas as regiões importantes do Brasil, como a Amazônia e a Mata Atlântica, têm o seu próprio dia nacional”, observou ele, acrescentando: “Mas o cerrado é tão azarado que a sua data comemorativa é justamente 11 de setembro” [uma alusão aos ataques terroristas de 2001 em Nova York].

A bordo de uma picape Mitsubishi 4x4, Simon e Neves viajam por uma rodovia a cerca de uma hora e meia de distância de Brasília. O GPS manual de Neves lhes indica o ponto exato de sair do asfalto e entrar em uma irregular estrada de terra vermelha. Bandos de tucanos passam voando ocasionalmente à medida que os dois cientistas avançam por plantações de eucaliptos e pastagens verdejantes. Por fim, eles param em uma típica paisagem do cerrado, formada por savana nativa e floresta de baixo crescimento. Neves, um pesquisador de pós-doutorado na University of Leeds, na Inglaterra, examina o campo em busca do melhor lugar para coletar amostras de solo.

De barba aparada, e o cabelo cacheado amarrado em um meio rabo de cavalo, as mangas de sua camisa erguidas até os cotovelos, Neves ignora o calor e os carrapatos com indiferença zen. Ele se espreme por uma cerca de arame farpado e entra em um campo de capim alto, cujas folhas afiadas se agarram aos seus jeans.



Ali ele se ajoelha e com uma espátula de pedreiro coleta amostras de terra que coloca em um saco plástico transparente. Do outro lado da estrada de chão crescem árvores retorcidas, com uma peculiar casca áspera de vários centímetros de espessura, que lembra um pouco pele de crocodilo, mas é leve e macia como a cortiça. 

Elas são exemplos de como as árvores aqui se adaptaram para se proteger contra incêndios e prolongados períodos sazonais de estiagem, duas importantes características do cerrado. Outra adaptação notável de muitas plantas locais é o mero volume de biomassa existente no subsolo.

Devido às longas estações secas e aos incêndios que rotineiramente varrem a savana, algumas delas desenvolveram troncos e sistemas radiculares cravados profundamente no subsolo. Em alguns casos 70% das plantas ficam abaixo da terra, atingindo profundidades de mais de nove metros. Por essa razão, o cerrado às vezes é chamado a “floresta invertida”, ou “de cabeça para baixo”. Mas é justamente essa adaptação, que ajuda o cerrado prosperar apesar de incêndios e condições de estiagem, que o torna vulnerável à atividade humana: como as pessoas não veem essa parte da floresta, elas não reconhecem a importância de protegê-la.

“Com a transformação da terra, pessoas acreditam que o cerrado perderia menos carbono armazenado em comparação com a Amazônia, já que ela tem essas florestas massivas”, explica Neves. “Mas uma enorme quantidade do carbono no cerrado vem justamente dessas estruturas subterrâneas”. Simon corta alguns galhos de uma árvore com fileiras de folhas finas, semelhantes a dedos, e os leva para a parte traseira do 4x4. Cuidadosamente ele os enrola em folhas de jornal e os deposita firmemente entre quadrados empilhados de papelão.



À noite, ele e Neves secarão todas as amostras colhidas no dia em um forno portátil. Em menos de duas semanas, os dois lotarão a caçamba do Mitsubishi com essas pequenas, mas importantes peças da história evolutiva do cerrado.

Ao longo dos próximos dias, a dupla prossegue sua viagem rumo ao norte pela rodovia Belém-Brasília, uma estrada de duas pistas no Brasil central.

Há 50 anos, esta era a única artéria que ligava a então nova capital brasileira a Belém do Pará, uma cidade portuária perto da costa atlântica, mais de 1.600 km mais ao norte, e que serve como portão de entrada para a navegação no rio Amazonas. Foi a construção dessa rodovia através de grandes áreas agrestes e selvagens nos estados de Goiás, Tocantins e Pará que ajudou a viabilizar a transformação agrícola da região.


A dramática mudança de paisagem 

Ao contrário de pastos, bosques e pradarias observados no dia anterior, a viagem para o norte através do Tocantins atravessa por intermináveis lavouras de girassol, soja, cana-de-açúcar, milho, e sorgo. Espessas colunas de fumaça sobem das queimadas à medida que fazendeiros abrem novas terras de cultivo. Essa prática favorece a proliferação de gramíneas invasoras que amplificam drasticamente os efeitos dos incêndios naturais durante a longa estação de seca.

Pequenas vilarejos agrícolas empoeirados pontilham a rota; seu comércio dominado por concessionárias de tratores, gado fornecedores de artigos para animais e oficinas de maquinário pesado. Para pernoitar, os cientistas param em Formoso do Araguaia, parando para jantar em um de alguns poucos restaurantes casuais com mesas de plástico vermelho agrupadas na calçada. A maioria delas é ocupada por fazendeiros que se reuniram nessa noite amena para refeições de arroz, feijão, e peixes locais regadas a cervejas geladas.

Escutando as conversas e brincadeiras, Simon observa que os sotaques dos fazendeiros sugerem que eles são do sul do Brasil, provavelmente parte de uma onda de migrantes em busca de terras baratas e generosos incentivos governamentais na década de 60, destinados a transformar o cerrado em uma região interiorana agrícola.


Resultados de esforços de governo

Nos 30 anos seguintes, o cerrado testemunhou uma revolução agrícola — até os fazendeiros começarem a utilizar fertilizantes, a soja nunca tinha sido cultivada com sucesso nos trópicos.

Hoje, graças à tecnologia, os sojicultores locais às vezes até conseguem um rendimento superior ao alcançado por produtores em climas temperados, como o centro-oeste dos Estados Unidos. O timing da transformação foi excelente. À medida que arados reviravam o cerrado, a demanda global de soja disparou. Nos últimos 50 anos, a produção global da leguminosa aumentou quase 10 vezes, de acordo com um recente relatório da World Wildlife Fund (WWF).

Isso tem sido impulsionado em grande parte pelo crescente apetite mundial de carne: 80% da soja produzida agora são convertidos em ração animal.

Atualmente, o Brasil é o segundo maior exportador mundial dos grãos, depois dos Estados Unidos. E essa distância está diminuindo rapidamente. Dois terços da demanda de soja brasileira vêm da China e da União Europeia. Mas uma grande variedade de produtos importados e consumidos nos Estados Unidos — de carne e laticínios a cosméticos, sabonetes e chocolates — depende de soja brasileira.

Vários dos principais operadores multinacionais de commodities que impulsionam a produção de soja no Brasil estão sediados nos Estados Unidos, inclusive a Monsanto, a Cargill, Archer Daniels Midland e Bunge. 

No entanto, empresas chinesas exercem uma crescente influência sobre o futuro do cerrado.  Atualmente, a China é o principal parceiro comercial do Brasil. Apesar de uma repressão, em 2010, à propriedade estrangeira de terras no Brasil, a China continua procurando meios de expandir seu controle sobre áreas agrícolas no cerrado através de acordos de produção, arrendamento de terras e investimentos, principalmente para cultivar soja.

A soja é o maior produto de importação agrícola da China e se destina principalmente a alimentar sua crescente demanda de carne: hoje, chineses consomem pouco menos de duas porções de carne por dia em média, duas vezes mais que em 1990. E, de acordo com projeções do Departamento da Agricultura dos Estados Unidos, esse consumo deve aumentar mais 12% até 2020.

O rastro da atividade

A conversão do cerrado em pastagens injetou mais de 275 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera por ano entre 2002 e 2008, de acordo com uma recente análise do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil. Isso é mais da metade das emissões anuais de CO2 do Reino Unido, o 10º maior emissor do mundo, e mais que as emissões anuais da Amazônia brasileira.

E nada sugere que esse padrão mudará tão cedo. O deputado Joe Valle, representante do Distrito Federal, é também um horticultor orgânico e criador de gado leiteiro em 139,6 ha de terras no que, há 50 anos, ainda era floresta no cerrado.


Cerrado
Área original aproximada: 2,1 milhões de km2
Área com atividade antrópica estimada: 700 mil km2
Seu negócio tornou-se um modelo de agricultura orgânica no Brasil. Ele está plantando sementes de mudança socioambiental ao defender fervorosamente a conservação do cerrado, além de mais apoio governamental para pequenos produtores, práticas agrícolas sustentáveis e colheita de plantas nativas do cerrado, como o caju, castanha de baru e frutos de palmeiras.

“Temos muitas leis e tipos de instituições diferentes que tentam defender o bioma [do cerrado], mas isso é uma disputa, uma disputa diária, com agronegócios e potências econômicas. O único caminho para nós é a consciência do povo. Sem isso, as potências econômicas prevalecerão”, resumiu Valle. Engenheiro florestal por formação, o deputado é um forte crítico das recentes alterações ao Código Florestal brasileiro, um histórico conjunto de leis creditadas de desacelerar a destruição da Amazônia.

Um recente artigo divulgado na publicação científica Science confirma sua preocupação. Os autores advertem que ao conceder anistia para alguns desmatamentos ilegais ocorridos antes de 2008 e relaxar padrões para conservação e restauração, a versão emendada e diluída do Código Florestal poderia levar a um desmatamento adicional no cerrado, equivalente a uma área quase igual à da Califórnia [423.970 km2].

Na conferência de cúpula climática de setembro,em Nova York, 27 participantes subscreveram um acordo que limita o desmatamento, entre eles, os Estados Unidos, as Filipinas e a Indonésia, e empresas multinacionais como a Cargill e a Unilever. O Brasil estava ausente. A história do cerrado é uma que já foi escrita antes em outras paisagens icônicas, da Califórnia e das Grande Planícies americanas ao Vale Central do Chile. Todas são advertências do que pode acontecer quando as demandas da humanidade pressionam a Natureza na direção de um ponto de inflexão ominoso.




Outros países em desenvolvimento ansiosos por estabelecer uma base agrícola produtiva estão adotando o modelo do cerrado. A Embrapa, a agência brasileira creditada pela transformação do cerrado, está oferecendo sua experiência a vários países que procuram aplicar abordagens eficientes, de alto rendimento, à agricultura na África e América do Sul, inclusive o Paraguai, Argentina, Colômbia, Gana, Sudão e Moçambique.

Este último, em particular, abraçou o modelo brasileiro. A parceria de longo prazo com o Brasil e o Japão transformará milhões de hectares de savanas no norte do país africano em área de cultivo de alto rendimento de soja e outras culturas, principalmente para exportação. O programa, chamado ProSavana, deverá atrair bilhões de dólares em projetos de infraestrutura regional. Mas críticos questionam se ele de fato melhorará significativamente a segurança alimentar para moçambicanos pobres, uma vez que o projeto escancarou as portas para empresas multinacionais, visando principalmente exportar commodities para a Europa e a Ásia.

Como a população mundial está projetada a aumentar em mais 2,6 bilhões de pessoas nos próximos 35 anos, é inevitável que sejam necessárias mais terras para a agricultura, e o aumento da produtividade será essencial.

Proponentes do “modelo cerrado” salientam que a agricultura intensiva significa que mais alimentos podem ser cultivados em menos terras, diminuindo, portanto, o desmatamento. Mas ainda restam muitas questões sobre se ele [o modelo] atingirá o objetivo de alimentar um mundo faminto, ou se ele simplesmente possibilitará um consumo cada vez mais voraz na China e nos países ocidentais desenvolvidos.

O biólogo Marcelo Simon lamenta que seu amado cerrado não tenha atraído mais atenção. Ele conta como certa vez viajou através da região com um amigo do Rio de Janeiro. Ao olhar pela janela do veículo para uma paisagem prístina e intocada, seu amigo presumiu que as árvores raquíticas, o capim e os arbustos deviam ser remanescentes de uma floresta antes exuberante.

“Ele olhou para o cerrado e disse, ‘Nossa! Isso é tão triste, toda a floresta que existia aqui desapareceu e veja o que sobrou, toda essa vegetação secundária”, relembra Simon com um sorriso pesaroso.




Esse é o cerne do problema de imagem do cerrado: uma pradaria arborizada simplesmente não é o que as pessoas imaginam quando pensam sobre um sumidouro de carbono ou uma área de conservação prioritária. Elas imaginam uma floresta tropical. E a preocupação internacional sobre a grande floresta tropical forçou o Brasil a se concentrar na Amazônia, mas não existe um estímulo desses para proteger o cerrado.

“Ninguém no resto do mundo tem conhecimento do cerrado, e se por acaso têm, eles dizem ‘graças a Deus não é a Amazônia’”, critica Donald Sawyer, fundador do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), uma organização não governamental independente, com sede em Brasília, que trabalha em projetos de conservação e desenvolvimento sustentável no cerrado. “E os sojicultores afirmam: ‘Não estamos roçando (derrubando o mato) a Amazônia’”.

No período que antecedeu as negociações sobre mudanças climáticas promovidas pela ONU em Copenhague, em 2009, Sawyer pressionou para que o cerrado fosse incluído, junto com a Amazônia, no plano brasileiro para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Na conferência, o Brasil conquistou boa vontade internacional com sua proposta de cortar em 80% as emissões resultantes do desmatamento na Amazônia.

A meta de redução para o Cerrado? 40%.

De volta ao Tocantins, Danilo Neves e Marcelo Simon estão no encalço de outra leguminosa difícil de encontrar.

Cautelosamente, Simon sobe em uma árvore esguia sobre um aterro ao longo de um pantanal para confirmar que eles encontraram a espécie que estavam procurando. Ele sorri; é ela. O biólogo corta algumas folhas e as joga para Neves para adicioná-las ao saco de amostras. Essa é mais uma pista genética sobre como essa paisagem variada — aqui um árido emaranhado de gramíneas infestadas por carrapatos e árvores retorcidas com crepitantes folhas verdes, ali um exuberante oásis de palmas ribeirinhas e cipós enfolhados — evoluiu.

Isso é importante, salienta Neves.

Se, como preveem alguns estudos, as mudanças climáticas levarem a uma Amazônia mais quente e árida e a um desaparecimento de espécies nativas da floresta, algumas plantas tolerantes a secas e profundamente enraizadas co cerrado poderiam ser as mais adequadas para preencher os vazios.

Mas primeiro eles precisam encontrá-las. E então, de alguma forma, o mundo terá de protegê-las.

Fonte: Scientific American Brasil.

TEMOS QUE PRESERVAR ESSA NOSSA RIQUEZA. MAS NÃO PARE AGORA POIS AQUI TEM MUITO MAIS (CLIQUEM NOS TÍTULOS OU NAS IMAGENS PARA ACESSAR OS LINKS):


Gambá amigo: pequeno mamífero beneficia fazendas e biodiversidade

 https://bio-orbis.blogspot.com.br/2015/05/gamba-amigo.html

 https://bio-orbis.blogspot.com.br/2015/07/voces-conhecem-o-lobo-guara.html

 https://bio-orbis.blogspot.com/2014/11/desmatamento-zero-ja-e-insuficiente-na.html

 https://bio-orbis.blogspot.com/2014/09/agronegocio-e-o-maior-responsavel-pelo.html

E NÃO DEIXE DE SEGUIR NOSSAS COLEÇÕES NO G+, ONDE TODAS NOSSAS POSTAGENS ESTÃO EM CATEGORIAS (CLIQUEM NAS IMAGENS ABAIXO PARA ACESSAR OS LINKS):

https://plus.google.com/collection/slsfQB https://plus.google.com/collection/M-zdQB https://plus.google.com/collection/YLgT0

Nenhum comentário:

Postar um comentário