domingo, 28 de dezembro de 2014

Microorganismo resistentes

Diagnóstico mais rápido para resistência a antibióticosTestes inéditos podem reduzir o tempo de espera e limitar receitas inadequadas.

 https://bio-orbis.blogspot.com/2014/12/microorganismo-resistentes.html

VAMOS DESCOBRIR...

A resistência a antibióticos, que transforma microrganismos comuns em ameaças que não podem ser facilmente controladas, está impactando cada vez mais a população humana.

Mais de dois milhões de pessoas nos Estados Unidos desenvolvem infecções resistentes a antibióticos todos os anos, e pelo menos 23 mil delas morrem em conseqüência disso.

Mas a maioria desses casos de resistência só é identificada muito depois que um paciente sai do consultório médico.


O problema do diagnóstico é o tempo que bactérias levam para crescer no laboratório.

O método padrão para identificar resistência a drogas é coletar uma amostra de uma ferida, do sangue ou da urina de uma pessoa e expor as bactérias residentes a diferentes medicamentos. Se a colônia bacteriana continuar se dividindo e prosperando apesar da presença de uma droga normalmente eficaz, isso indica que os microrganismos são resistentes.

O tempo de espera para essas respostas normalmente é de 16 a 20 horas.

Escherichia coli
Inovações inéditas em bioengenharia estão permitindo que cientistas acelerem esse processo diagnóstico ao contornar completamente a necessidade de observar se ocorre divisão bacteriana.

Uma nova abordagem envolve verificar como a estrutura de células bacterianas individuais muda em resposta à exposição a antibióticos; um processo que leva apenas de três a quatro horas.

Esse teste poderia ajudar médicos a identificar mais rapidamente o melhor antibiótico para cada caso e encaminhar pacientes para o curso de tratamento adequado, escreveu o principal autor do estudo Sunghoon Kwon da Universidade Nacional de Seul, na Coreia do Sul, via e-mail.

As novas descobertas foram divulgadas em 17 de dezembro na publicação Science Translational Medicine.

Desenvolver esses avanços diagnósticos é exatamente o que a Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu este ano em uma sombria análise global sobre a resistência a antibióticos.

Enterococcus spp
Em um número excessivo de casos, criticou a entidade, os testes disponíveis demoram tempo demais, levando médicos a abrir mão deles e simplesmente receitar drogas de amplo espectro.

Desenvolver testes mais rápidos, que levariam a tratamentos mais direcionados, seria um passo crucial para ajudar a salvaguardar medicamentos, sublinhou o relatório da OMS. Se o novo método conseguir chegar a centros de tratamento, isso seria um passo na direção certa, acrescentou.

“A capacidade de determinar mudanças na estrutura de células isoladas torna o método único entre os tipos de análises rápidas e é um sinal otimista de que isso poderia ser o início de uma nova área de estudo”, avalia Stuart Levy, diretor do Centro para Genética Adaptada e Resistência a Drogas na Tufts University School of Medicine, em Boston, Massachusetts.

Klebsiella pneumoniae
De fato, um médico normalmente prescreverá um medicamento para tratar a suspeita de infecção de um paciente, mas só receberá resultados laboratoriais definitivos, confirmando se seu melhor palpite estava correto, um ou dois dias depois que o doente começou a tomar os remédios.

Esse hiato entre consulta e resultado definitivo faz com que pacientes tomem uma quantidade excessiva de antibióticos desnecessários, aproximando-nos cada vez mais de um mundo em que tratamentos essenciais já não são mais eficazes.

A nova abordagem, um de vários métodos de testes rápidos atualmente desenvolvidos por várias equipas de pesquisas, depende de dois avanços significativos em tecnologia laboratorial.

O primeiro é imobilizar células bacterianas isoladas, ou seja, fixá-las no lugar para obter uma imagem clara, sem prejudicar as células. O segundo é o desenvolvimento de um chip microfluídico que simule da melhor forma possível o ambiente necessário para certas bactérias prosperarem e que permita que os pesquisadores captem imagens de alta resolução de células isoladas.

Pseudomonas aeruginosa
Essas inovações permitem que especialistas avaliem se uma amostra é resistente ou suscetível a um tratamento medicamentoso, porque eles têm como examinar imagens dessas células em busca de mudanças específicas em suas estruturas.

Para esse estudo, a equipe de pesquisa sul-coreana testou cepas de Escherichia coli, Pseudomonas aeruginosa, Klebsiella pneumoniae, Staphylococcus aureus e Enterococcus spp. expostas a vários antibióticos. E ela foi capaz de discernir em poucas horas quais cepas responderiam às drogas.

“A capacidade de diagnosticar rapidamente uma resistência a antibióticos seria enorme e, de fato, se desenvolvermos um sistema para fazer isso de modo ágil e eficaz, isso realmente poderia mudar o uso de antibióticos”, observa Arjun Srinivasan, diretor associado de Programas de Prevenção de Infecções Associados a Cuidados de Saúde, do U.S. Centers for Disease Control and Prevention (CDC).


Staphylococcus aureus
Os autores advertem que o novo método talvez não funcione com todas as cepas bacterianas, exigindo, portanto, que os padrões morfológicos de cada nova linhagem sejam cuidadosamente analisados antes do uso.

Mas um melhor monitoramento da resistência a antibióticos e métodos de prevenção mais rigorosos seriam ferramentas-chaves para ajudar a impedir o aumento da resistência a antibióticos.

De fato, estudos anteriores já haviam constatado que prescrições inadequadas são um estimulante significativo da resistência a antibióticos. Essa resistência ocorre naturalmente com o tempo, mas o uso excessivo dessas drogas acelera o processo ao acrescer uma pressão seletiva extra.

Apesar de todas as promessas desse e de outros testes que visam acelerar diagnósticos, a nova tecnologia não aparecerá tão cedo em hospitais e clínicas, porque ele [o teste] requer ferramentas que excedem de longe as capacidades encontradas em um laboratório comum, além de envolver significativos investimentos financeiros.

“Esse não é um teste que laboratórios podem começar a fazer amanhã” ressalta Levy. “Ele é muito mais elaborado que a maioria dos laboratórios gostaria de ser”.

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