sábado, 18 de outubro de 2014

Benefícios de energia renovável superam expectativas

Apesar de todos os metais e matérias-primas usadas na construção de células solares e turbinas eólicas, essas fontes renováveis de baixo carbono terão pouco impacto climático e ambiental até 2050.

 https://bio-orbis.blogspot.com/2014/10/beneficios-de-energia-renovavel-superam.html

VAMOS DESCOBRIR...

A substituição de combustíveis fósseis por energias renováveis poderia reduzir as emissões globais de gases estufa em 62% abaixo de um cenário que supõe que o consumo global de energia continuará em sua trajetória atual.

Grandes quantidades de metais é necessária para a produção de células solares e turbinas eólicas: matérias-primas como cobre e ferro; terras-raras como o índio e outros, que envolvem grandes emissões de gases estufa e outros tipos de poluição durante seu processo de mineração e processamento para produzir componentes de geradores de energia renovável.

Assim, será que essas fontes de eletricidade renovável de baixo carbono são muito verdes? A resposta é sim.

De acordo com uma nova pesquisa publicada na segunda-feira (dia 6 de outubro de 2014), projetos de energia eólica e solar de todo o planeta até 2050 provavelmente terão um impacto climático e ambiental muito baixo e até reduzirão a poluição do ar, apesar de exigirem matérias-primas derivadas de processos poluentes para esses projetos eólicos, solares e hidrelétricos.

Como parte do novo estudo da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia, pesquisadores conduziram a primeira análise de uma estreia global em grande escala de novas usinas eólicas, hidrelétricas e solares, investigando se a mudança na geração de carvão e gás natural para renováveis aumentaria ou diminuiria certos tipos de poluição.

Segundo informações do estudo, geralmente não se sabe muito sobre o ambiente e os custos climáticos de uma mudança global de combustíveis fósseis para fontes renováveis, e nem como essa mudança afeta a poluição da produção de matérias-primas usadas em painéis solares e hélices de turbinas eólicas como cobre, concreto, alumínio, índio e outros materiais.

Ainda segundo o estudo, turbinas eólicas precisam de até 14 vezes o ferro necessário para a geração de energia fóssil, e fotovoltaicos solares precisam de até 40 vezes mais cobre que usinas elétricas tradicionais movidas a carvão, petróleo ou gás natural.

Com o passar do tempo o impacto ambiental provocado pela extração dessas matérias-primas diminui, a poluição é reduzida e a quantidade total desses materiais provavelmente necessários para fontes de energia renovável é uma fração do volume dos materiais que estão sendo minerados atualmente.

Os pesquisadores partiram do pressuposto de que as energias solar, eólica e hidráulica representarão até 39% da produção energética global em 2050, em comparação aos 16,5% em 2010, exigindo 1,5 gigatoneladas de matérias-primas para construção.

“Fiquei surpreso com a redução geral da poluição em fontes renováveis de energia”, declara o principal autor do estudo, Edgar Hertwich, professor de energia e engenharia de processos da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia. “Eu esperava que alguns produtos tóxicos pudessem estar aumentando devido aos materiais utilizados. Minérios de metais contêm grandes quantidades de metais pesados, e eu esperava que isso fosse significativo. Fiquei muito surpreso em não vê-los aparecer”.


Quando comparada a usinas de carvão, a energia renovável vence porque a geração eólica e solar não exige matérias-primas adicionais durante o tempo de vida da turbina ou do painel solar. Usinas a carvão, por outro lado, exigem a mineração constante de carvão, aponta ele.

O estudo, publicado na segunda-feira no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences, conclui que novas instalações de energia renovável aumentariam a demanda por ferro e aço em 10% até 2050, e o cobre que seria necessário para sistemas fotovoltaicos é equivalente a dois anos da atual produção global de cobre.

“A quantidade de materiais que precisam ser deslocados pelo carvão é maior que a quantidade de metal deslocada para energias renováveis”, explica ele.

Até mesmo quando geradores de energia solar e eólica precisam ser reconstruídos, matérias-primas podem ser recicladas a partir de geradores energéticos mais antigos, observa ele.

A substituição de combustíveis fósseis por energias renováveis poderia reduzir as emissões globais de gases estufa em 62% abaixo de um cenário que supõe que o consumo global de energia continuará em sua trajetória atual, com a geração de energia a carvão possivelmente aumentando 149% em relação aos níveis de 2007, de acordo com o estudo.



A pesquisa também mostra que a poluição da água doce poderia ser reduzida pela metade e a matéria particulada no ar reduzida em 40%.

“Esse estudo ajuda a tornar ainda mais claros os benefícios e a necessidade de tecnologias renováveis para atingir metas de mitigação de gases estufa no longo prazo”, declara Christine Shearer, aluna de pós-doutorado em ciências do sistema terrestre na University of California-Irvine. Sua pesquisa mais recente sugere que a dependência de gás natural para a geração energética impede o desenvolvimento de renováveis.

“Nós sabemos que nenhuma fonte de energia é benigna”, aponta ela. “Cada uma delas terá um impacto diferente sobre o ambiente e seus recursos, especialmente quando escalonadas. Hertwich e seus colegas prestaram um grande serviço ao quantificar esses efeitos de ciclo de vida e mostrar os benefícios de energias renováveis não apenas para o clima, mas também para o ar e para a água, com uma quantidade administrável de recursos”

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