quinta-feira, 19 de novembro de 2015

O Fim de um Ecossistema

Após o rompimento das barragens no distrito de Bento Rodrigues em Mariana, foi só o começo. Primeiro devasta uma comunidade e sua história... Agora a Lama segue em rumo ao mar, levando mais vidas... E matando um rio, o Rio Doce... O golpe final... o fim de um Ecossistema.


O rio Doce é um rio brasileiro da Região Sudeste do país, que banha os estados de Minas Gerais e Espírito Santo. Com cerca de 853 km de extensão, seu curso representa a mais importante bacia hidrográfica totalmente incluída na Região Sudeste.

HISTÓRIA

O rio Doce teve importância decisiva na conquista do Espírito Santo e de Minas Gerais pelos conquistadores europeus. Pelo seu vale, no século XVIII penetraram sertanistas e exploradores como Sebastião Fernandes Tourinho, Antônio Dias de Oliveira e Borba Gato. No século XIX, foi a vez dos pesquisadores como o príncipe renano Maximilian von Wied-Neuwied, a princesa Teresa da Baviera, e Frederico Sellow, botânico que morreu afogado em suas águas.

Estes pesquisadores chegaram a manter contatos pacíficos com o chamados índios botocudos, deixando um vasto conhecimento sobre esses grupos nativos.

No século XX, o vale do rio Doce serviu de caminho para a Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM ) que impulsionou o crescimento de diversas localidades.

BACIA DO RIO DOCE

O principal formador do rio Doce é o rio Piranga, cuja nascente localiza-se na serra da Mantiqueira, no município de Ressaquinha, Minas Gerais. No município de Rio Doce, ao receber as águas do rio do Carmo, o rio Piranga passa a se chamar rio Doce. Com um total de 853 km de percurso, o rio Doce tem sua foz no oceano Atlântico na localidade da Vila de Regência, pertencente ao município de Linhares, no Espírito Santo.

A bacia hidrográfica do rio Doce, pertencente à região hidrográfica do Atlântico Sudeste, apresenta uma significativa extensão territorial, cerca de 83.400 km², dos quais 86% pertencem ao Estado de Minas Gerais e o restante ao Estado do Espírito Santo. Dos 228 municípios total ou parcialmente incluídos na bacia, 26 localizam-se no Espírito Santo e 202 em Minas Gerais nas mesorregiões do Vale do Rio Doce, norte da Zona da Mata e sudeste da Metropolitana de Belo Horizonte. As principais cidades da bacia em Minas Gerais são Ipatingae Governador Valadares e, no Espírito Santo, Colatina e Linhares. A população total residente na bacia é da ordem de 3,2 milhões de habitantes.


Chegando a ser o maior crime ambiental dos últimos 30 anos. O Rio Doce, já vinha sofrendo de desmatamentos das suas matas ciliares gerando processos de erosão. Mas o golpe final foi a Lama trazida das barragens rompidas em Mariana.


O risco da extinção da fauna e flora locais, são praticamente 100%, a Lama com sua consistência literalmente enterra vivo os animais. Sem a água para as plantas das matas ciliares, o metais pesados e outras substâncias contidas na Lama, comprometem mais ainda todo o ecossistema.


Na natureza é assim, uma coisa leva a outra. As comunidades que viviam do sustento do rio, espécies que dependem para alimentar. O raio de impacto ainda não pode ser estimado, pois cresce a cada dia.



Como avaliar, como calcular o preço a pagar pelos responsáveis? Isso ainda é difícil saber, mas não impossível...


“Lira Itabirana”

O Rio? É doce.

A Vale? Amarga.

Ai, antes fosse

Mais leve a carga.

Entre estatais

E multinacionais,

Quantos ais!

A dívida interna.

A dívida externa

A dívida eterna.

Quantas toneladas exportamos

De ferro?

Quantas lágrimas disfarçamos

Sem berro?

Carlos Drummond de Andrade, 1984

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