terça-feira, 10 de novembro de 2015

Mudanças climáticas: como produzir mais energia sem piorar a grave situação?

2015 pode ter sido o ano da virada.

A água do degelo jorra de uma geleira em Nordaustlandet, uma ilha no arquipélago norueguês de Svalbard. O Ártico vem se aquecendo com notável rapidez. O gelo marinho estival pode desaparecer da região ainda neste século.


2015 pode ser o ano da virada. Assim pensa Laurence Tubiana. Franzina e elegante, a diplomata de 63 anos é a “embaixadora do clima” da França, encarregada de levar adiante o maior projeto de coordenação de iniciativas já visto até hoje. Há um ano e meio, ela está percorrendo o mundo e falando com negociadores de 195 países, antes da conferência global do clima, prevista para dezembro de 2015, em Paris – ou seja, procura assegurar que o encontro se torne um divisor de águas no enfrentamento das questões vinculadas às mudanças climáticas.

Há pelo menos 20 motivos para se temer que Laurence vá fracassar. Desde 1992, quando os países se reuniram no Rio de Janeiro e decidiram evitar ao máximo “as interferências antropogênicas danosas ao sistema climático”, eles já estiveram à mesa de negociação outras 20 vezes, sem que tenham conseguido resultados significativos para reduzir as emissões de dióxido de carbono. Pelo contrário, nesse período lançamos na atmosfera quase tanto CO2 quanto em todo o século passado. As ondas de calor recordistas agora são cinco vezes mais prováveis que no passado. Grande parte do manto de gelo no oeste da Antártica, relataram os cientistas em 2014, está condenada a desaparecer – o que significa que, nos próximos séculos, o nível dos mares vai subir pelo menos 1,2 metro. Na verdade, já estamos redesenhando o mapa do planeta, sobretudo das zonas mais favoráveis à vida de animais, plantas e seres humanos.

De uma altitude de 2 300 metros, a malha viária de Nova York parece uma placa de circuito eletrônico. O brilho das lâmpadas de LED – aqui iluminando a Times Square e outros pontos no meio de Manhattan – é o causador dos tons azuis e violáceos.
Apesar de tudo, nota-se um inegável resquício de esperança. A China e os Estados Unidos, os dois principais geradores de carbono, anunciaram um acordo para reduzir as suas emissões. Meia dúzia de empresas petrolíferas europeias afirma que aceitaria um imposto sobre as emissões. Um gigantesco fundo de pensões norueguês já se comprometeu a deixar de investir em negócios que utilizem carvão. E o papa vem usando a sua imensa autoridade espiritual a fim de que se adotem soluções para o problema.

Em 2014, as emissões globais de dióxido de carbono resultantes do uso de combustíveis fósseis não aumentaram, mesmo com o crescimento da economia mundial. Ainda serão necessários anos para sabermos se isso se configura uma tendência – mas foi a primeira vez que vimos tal coisa ocorrer. Uma das razões foi a China ter consumido menos carvão que no ano anterior. A geração de energia a partir de fontes renováveis eólica, solar e hidrelétrica – vem aumentando ali de modo extraordinário, assim como em outros países, devido à queda significativa nos custos. Até mesmo a Arábia Saudita se tornou entusiasta da energia solar. “O planeta chegou ao ponto de virada”, diz Hans-Josef Fell, um dos autores da legislação que facilitou um surto de energia renovável na Alemanha.

Já passamos por tais momentos. No último meio século, criamos um mundo no qual as pessoas vivem, em média, duas décadas a mais que antes, cruzamos os oceanos em um dia quase sem nos darmos conta, nos comunicamos de modo instantâneo e global quase de graça e carregamos bibliotecas na palma das nossas mãos. Foram os combustíveis fósseis que contribuíram para tornar tudo isso possível. No entanto, até meados do século 21, se quisermos evitar uma catástrofe, teremos de seguir adiante impulsionados por outras fontes de energia. Todos os que acham que não temos capacidade para fazer essa revolução não fazem ideia do tanto que já modificamos o mundo. Estamos no meio de uma aventura sem precedentes, tentando conduzir as mudanças de modo a assegurar um futuro mais promissor a todo o planeta.

A fumaça das árvores sendo queimadas obscurece a visão da Floresta Amazônica no Mato Grosso. Nas últimas décadas, quase um quarto da cobertura florestal do estado foi eliminado, liberando na atmosfera milhões de toneladas de dióxido de carbono.
O romancista americano E.L. Doctorow, há pouco falecido, certa vez descreveu assim o processo de escrever um livro: “É como dirigir um carro à noite: não se enxerga nada além da luz dos faróis, mas isso não nos impede de chegar ao destino”. A tarefa de reequilibrar o sistema climático é similar. Não precisamos ter visão completa de todo o percurso até um destino mais feliz, mas temos de crer que é possível chegar lá. Isso é o que todos vão tentar em Paris. Os negociadores já não acreditam que seja viável almejar um acordo no qual todos os países se comprometam com uma meta de redução de emissões. Em vez disso, o que buscam é uma maneira de “transmitir uma mensagem forte e clara ao setor empresarial”, explica Laurence Tubiana, a fim de “criar a profecia, capaz de se autoconfirmar, de que uma economia desvinculada dos combustíveis fósseis já está acontecendo”. Somente quando olharmos para 2015 a partir do nosso futuro mais quente, vamos saber se este ano foi mesmo o ponto de virada, em que essa visão começou a se tornar realidade.

6 comentários:

  1. temos de nos virar para a geotermia,pois o sol nao pode tudo e nao temo muitas soluções para armazenar energia pois a energia geotérmica resolve uma parte do problema ,nao vejo muito entusiasmo nesse setor mas e o nosso futuro em termos de energia barata,utilizando uma parte dessa energia para reverter a poluição causada pelo ser humano estas ultimas décadas

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    1. Disse tudo Jose Manuel,

      As Geotérmicas e muitas outras alternativas mais.

      Agradecemos pelo comentário, abraços:

      Equipe BioOrbis.

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  2. Quem quiser me ajudar financeiramente ,tenho um projeto de geração de energia gravitacional que podemos por em pratica,ajudaria n alguns pontos críticos que não haja energia elétrica,o protótipo não e muito caro,a volta de 5000 euros insignificante par o beneficio que pode trazer a produção de energia limpa, interessados de um planeta mais limpo e que possa-o investir me ajudem para bem da humanidade,meu contato skype facebook:josemanuelreispereira1 ou EMAIL josemanuelreispereira1@sapo.pt ou josemanuelreispereira1@gmail.com ou 00351 927838325

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    1. Olá Jose Manuel,

      Infelizmente não temos capital para investir em seu projeto. Sabemos que é de uma importância gigantesca e que ajudará a todos no mundo, mas não somos uma mega empresa, ainda estamos começando, quem sabe um dia.

      No momento você poderia procurar outras, nas quais que investem em energias renováveis.

      Mesmo assim agradecemos seu comentário e boa sorte para você, abraços:

      Equipe BioOrbis.

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  3. o valor desse protótipo pode ser dividido por vários investidores quantos mais melhor,a união faz a força,a vontade faz a diferença,não perca-o esta oportunidade pois o planeta agradece,não estou a pedir milhões para executar o projeto,só para as despesas do material,a mão de obra eu dou,os conhecimentos eu dou,o local eu dou e os lucros finais eu dou,pequeno investimento com muitas possibilidades de ajudas a terceiros podendo fazer muitos postos de trabalho e riqueza para o mundo humano,já estou empenhado neste projeto a 6 anos da minha vida, gostaria que houvesse alguém que se esforçasse em me ajudar para eu acreditar que as pessoas estão cientes do aquecimento global e que o clima esta a mudar,ajudem por favor OBRIGADO

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    1. Como dito no comentário anterior Jose Manuel o seu projeto é incrível e e suma importância para combater o aquecimento global e para a preservação do meio ambiente. Mas infelizmente não somos uma grande empresa e não temos capital para isso.

      No mais agradecemos novamente pelo comentário, um grande abraço:

      Equipe BioOrbis.

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