sábado, 31 de outubro de 2015

Especial Halloween - Conheçam os Morcegos-Vampiros

Morcegos-vampiros? Neste Dia das Bruxas nada mais apavorante que essa lenda, mas os morcegos-vampiros são reais, confiram.


Somente três espécies que se alimentam exclusivamente de sangue: são os chamados morcegos hematófagos ou vampiros, encontrados apenas na América Latina. Dessa maneira, morcegos contribuem substancialmente para a estrutura e dinâmica dos ecossistemas, pois atuam como polinizadores, dispersores de sementes, predadores de insetos (incluindo pragas agrícolas), fornecedores de nutrientes em cavernas e vetores de doenças silvestres, dentre outras funções.

Possuem ainda o extraordinário sentido da ecolocalização (biossonar ou orientação por ecos), que utilizam para orientação, busca de alimento e comunicação.

Morcegos-vampiros são morcegos cuja fonte de alimento é sangue, um tipo de dieta chamado hematofagia. Existem três espécies de morcego que se alimentam apenas de sangue: Desmodus rotundus, Diphylla ecaudata e Diaemus youngi. Todas as três espécies são nativas das Américas, estando distribuídas desde o México ao Brasil, Chile e Argentina.

OS MISTÉRIOS DOS MORCEGOS HEMATÓFAGOS

De todos os animais existentes no planeta terra, talvez o mais polêmico e mais injustiçado seja o morcego hematófago. Popularmente conhecidos como “morcegos vampiros”, os morcegos hematófagos se alimentam exclusivamente de sangue de animais vertebrados.

Das três espécies existentes, duas se alimentam do sangue de aves (Diphylla ecaudata e Diaemus youngii) e uma ataca também, além das aves, mamíferos (Desmodus rotundus).

Estes morcegos se caracterizam pela extrema agilidade no solo, visto que na maioria das vezes fazem a abordagem da presa no próprio chão. Utilizam os eficientes sensores térmicos do nariz para a localização de uma veia próxima da pele do animal atacado. Com os dentes incisivos realizam um rápido corte e um ingrediente presente na saliva desses morcegos evita a coagulação do sangue. A partir daí, os morcegos hematófagos se alimentam do sangue do animal atacado por um período de 20 minutos, em média.

Outra característica curiosa desses animais é a presença de um anestésico natural em sua saliva que inviabiliza as chances da vítima de sentir alguma irritação com sua mordida.

Os morcegos vampiros desenvolveram um tipo de sociedade bem estruturada, com fortes vínculos sociais entre os membros da colônia. Além disso, eles também têm a capacidade de se reconhecerem pela voz e pelo cheiro.

Essa característica é de extrema importância para a sobrevivência dos morcegos, visto que quando não conseguem obter alimento podem “pedir” um pouco a outro morcego da colônia com o qual tenha desenvolvido ligação social.

É bom salientar que morcegos são animais protegidos por Lei de Proteção à Fauna, uma vez que exercem um importante papel na polinização e no controle da população de insetos. Sendo assim, sua caça, perseguição ou destruição é crime previsto em lei.

AS ESPÉCIES DE VAMPIROS

Desmodus rotundus


Classificação Científica
 
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Chiroptera
Família: Phyllostomidae
Subfamília: Desmodontinae
Gênero: Desmodus
Espécie: D. rotundus

O Desmodus rotundus, conhecido vulgarmente como morcego-vampiro, é um morcego da família Phyllostomidae, encontrado no México e toda América do Sul. A espécie habita geralmente tocas ou cavernas muito úmidas, possuindo pelagem fina e sedosa, com as partes superiores marrom-escuras e as inferiores mais claras.

Estes morcegos conseguem caminhar no solo, apoiando-se nos seus dedos e costumam morder suas presas nas orelhas, dedos e outras extremidades, pois são locais de difícil percepção. Ao contrário do que as pessoas pensam, os morcegos vampiros não chupam, e sim lambem o sangue que sai da mordida deferida por eles. Sua saliva contém uma substância anticoagulante que está sendo pesquisada para uso em doenças circulatórias.

É considerado pouco preocupante pela IUCN.

Diphylla ecaudata


Classificação Científica

Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Chiroptera
Família: Phyllostomidae
Subfamília: Desmodontinae
Gênero: Diphylla (Spix, 1823)
Especie: D. ecaudata

Diphylla ecaudata é um tipo de morcego que se alimenta quase que exclusivamente de sangue de aves que repousam em árvores e, em alguns casos, de aves domésticas, principalmente galinhas.

Possui olhos grandes, orelhas pequenas e arredondadas, folha nasal pouco desenvolvida. A principal diferença morfológica da espécie e que é particularmente útil para separá-los outros gêneros de Desmodontinae é o calcâneo maior, característica provavelmente associada ao hábito mais arborícola que as outras espécies (Schutt, 2008). Habita cavernas e, de modo mais raro, ocos de árvores (GREENHAL et al. 1984).

Está presente em 13 dos 26 estados brasileiros. Ocorre em Santa Catarina, mas não possui registros de ocorrência, até o momento, no Rio Grande do Sul. No Estado do Paraná a espécie foi classificada como Vulnerável (MMA, 2003).

É considerado pela IUCN como espécie Vulnerável, em seu estado de conservação.

Diaemus youngii


Classificação Científica

Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Chiroptera
Família: Phyllostomidae
Subfamília: Desmodontinae
Gênero: Diaemus (Miller, 1906)
Espécie: D. youngi

Diaemus youngi é um morcego hematófago que se alimenta preferencialmente do sangue de aves. A pelagem é parda amarelada e a dorsal é mais escura que a ventral. O focinho é alongado, a língua comprida com numerosas papilas na extremidade distal; os dentes molares são finos e alongados e a cauda é curta perfurando dorsalmente a membrana interfemural.

A distribuição dessa espécie é ampla, com ocorrências do nordeste do México, passando pela América Central e chegando à América do sul, da bacia Amazônica até o norte da Argentina.

Ao contrário de Desmodus rotundus, que é uma espécie bastante abundante e comum, D. youngi independentemente de sua ampla distribuição, é localmente rara e há uma deficiência de dados populacionais, biológicos e ecológicos.

Na literatura são encontrados registros de D. youngi para 13 dos 26 estados brasileiros.

Possuem como características diagnósticas que as distinguem das outras famílias de morcegos neotropicais, apêndice nasal rudimentar, de estrutura discóide em forma de ferradura.

É um morcego de porte médio, com peso variando entre 30 e 38 g e antebraço com 50-55 mm de comprimento. Assemelha-se a D. rotundus, mas pode ser distinguida facilmente das outras espécies de morcego vampiros devido a ausência de calcar e cauda evidente.

O dedo polegar de D. youngi tem uma única almofada, enquanto D. rotundus tem duas. Em D. youngi, ambos os sexos possuem glândulas localizadas bilateralmente dentro da boca, que só são vistas quando o morcego está incomodado, e emitem odor ofensivo. As pontas das asas e orelhas são brancas, assim como a membrana entre a segundo e terceiro dedos.

Alimenta-se de sangue fresco e parece ter preferência por sangue de aves, embora em cativeiro alimente-se de sangue bovino. Diferenças no comportamento alimentar relacionas a seleção de presas arbóreas e terrestres reduz a competição em localidades onde D. rotundus e D. youngi coexistem.

Vive em colônias com até 30 indivíduos e apresenta comportamento de domínio-hierarquia com displays e padrões de comportamento não relatados para outras espécies de morcegos.

Devido a sua semelhança com D. rotundus, a espécie é negativamente afetada por atividades de controle de vampiros. O vírus rábico já foi isolado no Brasil em indivíduos de D. youngi, mas relatos de raiva humana e raiva causada por morcegos são relacionadas a atividade de Desmodus rotundus.

Diaemus youngi não se encontra na lista das espécies ameaçadas para o território nacional, de acordo com dados do IBAMA (2003), e também não consta da lista da IUCN (2003). No entanto, é considerada ameaçada no estado do Paraná.

CONSERVAÇÃO

Mesmo sendo animais considerados vampiros e muitas pessoas tem medo deles, vale lembrar que é de suma importância sua preservação e conservação, devido que são animais que ajudam na regulação do meio ambiente e ecossistemas, sem contar que uma das três espécies esta ameaça pela IUCN.

Fonte: Sampex
BARQUEZ, R.; PEREZ, S.; MILLER, B.; DIAZ, M. 2008. Diaemus youngi. In: IUCN 2008. 2008 IUCN Red List of Threatened Species. <www.iucnredlist.org>. Acessado em 15 de fevereiro de 2009.

Ministério do Meio Ambiente. 2003. Espécies da fauna brasileira ameaçadas de extinção. Instrução Normativa n° 3, de 27 de maio de 2003. Publicada no Diário Oficial da União nº101 28.v.2003. Seção 1: 88-97.

SAMPAIO, E.; LIM, B.; PETERS, S. 2008. Diphylla ecaudata. In: IUCN 2008. 2008 IUCN Red List of Threatened Species. <www.iucnredlist.org>. Acessado em 15 de fevereiro de 2009.

SCHUTT, B. 2008. Dark Banquet: Blood and the curious lives of blood feeding creatures. Harmony: New York.

SIMMONS, N. B. Order Chiroptera. In: WILSON, D. E.; REEDER, D. M. (Eds.). Mammal Species of the World: A Taxonomic and Geographic Reference. 3. ed. Baltimore: Johns Hopkins University Press, 2005. v. 1, p. 312-529.

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