quinta-feira, 18 de junho de 2015

Doença de Alzheimer e Intelecto humano

Propulsores da inteligência humana estão implicados na doença que afeta a memória.

Alzheimer. Fonte da imagem: Renato Alves
A doença de Alzheimer pode ter evoluído concomitantemente com a inteligência humana.

 Em artigo publicado este mês em bioRxiv [um servidor pré-impressão para artigos sobre biologia operado pelo Cold Spring Harbor Laboratory, uma instituição educacional e de pesquisa], pesquisadores relatam ter encontrado evidências de que há entre 50 mil e 200 mil anos a seleção natural impulsionou mudanças em seis genes envolvidos no desenvolvimento cerebral.

Isso pode ter contribuído para aumentar a conectividade neuronal, tornando os humanos modernos mais inteligentes à medida que eles evoluíram de seus ancestrais hominídeos.

Essa nova capacidade intelectual, porém, não veio sem um custo: os mesmos genes estão implicados na doença de Alzheimer.

Kun Tang, um geneticista populacional no Instituto de Ciências Biológicas de Xangai, na China, que liderou a pesquisa, especula que o distúrbio de memória se desenvolveu à medida que cérebros em processo de envelhecimento lutavam com novas demandas metabólicas impostas pela crescente inteligência.

Humanos são a única espécie conhecida a apresentar Alzheimer. A doença inexiste até em espécies de primatas estreitamente aparentados conosco, como chimpanzés.

A seleção natural impulsionou mudanças em seis genes envolvidos no desenvolvimento cerebral.
Tang e seus colegas examinaram minuciosamente DNA humano moderno em busca de evidências dessa evolução milenar.

Eles analisaram os genomas de 90 pessoas com ascendência africana, asiática ou europeia, procurando por padrões de variação impulsionados por mudanças em tamanho populacional e seleção natural.

MARCADOS PELA SELEÇÃO

A análise foi complexa porque os dois efeitos podem se mimetizar.

Para controlar os efeitos de mudanças populacionais e, desse modo isolar os sinais da seleção natural, os pesquisadores estimaram como os tamanhos de populações mudaram ao longo do tempo.

Em seguida, identificaram segmentos genômicos que não correspondiam com o histórico da população, revelando segmentos de DNA que muito provavelmente foram moldados pela seleção.

Desse modo, os pesquisadores olharam para o passado muito distante; para eventos de seleção que ocorreram há até 500 mil anos, e expuseram as forças evolutivas que moldaram a aurora dos humanos modernos, que se acredita estar situada mais ou menos há uns 200 mil anos atrás.

A maioria dos métodos anteriores para descobrir mudanças desse tipo remontam a apenas cerca de 30 mil anos, salienta Stephen Schaffner, biólogo computacional no Instituto Broad, em Cambridge, Massachusetts. A abordagem analítica empregada pela equipe de Tang é promissora, acrescenta.

“É tratar todos os tipos de seleção em uma estrutura uniforme e também tratar diferentes eras do processo seletivo de um jeito mais ou menos uniforme”.

No entanto, Schaffner enfatiza que mais pesquisas são necessárias para confirmar que o método é amplamente aplicável.

Ainda assim, até os mais poderosos métodos de análise genômica podem ser limitados pelas inconstâncias e os caprichos da história.

Asiáticos e europeus, por exemplo, descendem de um pequeno número de pessoas que saíram da África há cerca de 60 mil anos e esse gargalo populacional apagou padrões anteriores de variação genética em europeus.

Os genomas de povos africanos, por outro lado, permitem que pesquisadores retrocedam muito mais no tempo, oferecendo mais informações sobre as mudanças evolutivas que moldaram a humanidade.

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