quinta-feira, 23 de abril de 2015

Aquecimento global irá mudar o gosto dos alimentos?

Como consequência do impacto que as mudanças de temperaturas causam na agricultura, a comida ficará cada vez mais insípida e mole.


De acordo com um estudo australiano, o aquecimento global não vai apenas dizimar safras – também vai mudar o gosto daquelas que sobreviverem. E não para melhor. Segundo pesquisadores, vamos ter comida cada vez mais insípida e mole, como consequência do impacto que a mudança de temperaturas causa na agricultura. Na verdade, isso já começou a acontecer.

Sabemos que as mudanças climáticas estão forçando a agricultura a se adaptar. A quantidade de terra arável no mundo diminuiu, e os tipos de alimentos que podemos cultivar estão mudando. Algumas regiões se tornarão quentes demais para safras tradicionais. Alguns alimentos podem desaparecer por completo e outros se tornarem caros demais.

O exemplo mais impressionante vem, na verdade, de um estudo japonês feito em 2013. Os pesquisadores avaliaram quase 40 anos de dados sobre maçãs, examinando diversas qualidades como textura, sabor e firmeza. Descobriram que, com o tempo, as frutas ficaram moles, granulosas, insípidas e menos azedas do que antes.

Em outras palavras, começaram a ficar horríveis. Ainda, notaram que elas amadureciam antes do tempo e que, mesmo quando as colheitas foram adaptadas à situação, as maçãs colhidas permaneciam com má qualidade.

Vegetais com raízes fracas sofrem ainda mais, diz o estudo. Dependem de solo rico com excelente drenagem e boa umidade. Caso contrário, cenouras e beterrabas, por exemplo, não alcançam o tamanho ideal, ficam duras e sem sabor. Já batatas ficam mais suscetíveis a ferrugem.

Richard Eckard, diretor do Centro de Desafios da Mudança do Clima nas Indústrias Primárias da Universidade de Melbourne, um dos autores do trabalho, disse que, além da redução das colheitas e da carne até 2030, “calor e seca provavelmente diminuirão a qualidade de grãos, uvas, vegetais, frutas e outras colheitas”. A couve ficará mais amarga, e berinjelas crescerão deformadas.

Carnes e alimentos marinhos também serão impactados. O gado terá de ser mais tolerante ao calor, e a carne poderá ter qualidade mais baixa. O leite das vacas poderá ficar pior, inclusive com diminuição na produção de até 40%. O estresse de calor será extremamente perigoso para porcos e galinhas. Nos oceanos, haverá um declínio em alguns tipos de polvos e as vieiras no hemisfério sul sumirão de nossos pratos, informa a CBS News.

4 comentários:

  1. Uilmara Machado de Melo23 de abril de 2015 15:21

    “A quantidade de terra arável no mundo diminuiu, (...)”. Por viajarmos muito e observarmos a natureza, eu e meu marido temos visto como temos terras e mais terras espalhadas pelo Brasil afora, o problema é que a população concentra-se em grandes centros urbanos e não há interesse dos governos em desenvolver novas áreas... Costumo dizer que as hortaliças, verduras, legumes e frutas (mas, principalmente as hortaliças) “estão fadados ao infortúnio”, pois “desperdiçamos” muita água para lavarmos os referidos alimentos (aqui em casa, costumo colocar uma bacia embaixo da torneira e reaproveitar na minha hortinha a água que lavo os referidos alimentos; mas, uma vez, fiquei danada, pois, fiz isso, e espalhei pulgão na minha hortinha saudável!...). Os alimentos já vêm perdendo o seu “sabor original”, há anos!!! Muitas pessoas, pela pouca idade, não se lembrarão do sabor que os pães e algumas frutas tinham, antigamente (perguntem a seus pais, avós...). Se a água muda, tudo muda; se a água falta, tudo falta! REZEMOS!!!!!!!

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    1. Super interessante seu relato Uilmara, você está vivendo na pele e infelizmente esse é o caminho, o descaso do governo, não investem nas pesquisas e tudo mais, estamos caminhado para trás. Água, as matas, os alimentos, tudo está ligado, se uma coisa está em desequilíbrio o todo também entra em desequilíbrio. Agradecemos pelo comentário.

      Equipe BioOrbis.

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  2. Já tendo sido comprovado que os alimentos transgênicos não oferecem riscos à saúde humana, eis aí mais uma ferramente para lidar com essas adversidades climáticas (se seu cultivo for efetivado com a devida perícia para não "contaminar" plantações orgânicas). Ainda assim será uma luta desenvolver outras alternativas para enfrentar essas mudanças climáticas. Tais inovações tecnológicas podem agregar, e muito, o preço de compra para o consumidor final. Se hoje dispomos de alimentos suficiente para alimentar a população mundial três vezes, pode ser que no futuro o preço para alimentar a população uma unica vez custe três vezes mais caro.

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    1. Disse tudo Matheus, infelizmente é esse o caminho, na natureza as cosias funcionam assim, tudo está ligado, e quando uma coisa está em desequilíbrio tudo fica em desequilíbrio. Agradecemos pelo comentário.

      Equipe BioOrbis.

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