sábado, 21 de fevereiro de 2015

Pau-santo dá conta de depressão e de radicais livres

Várias plantas recebem o nome vulgar de pau-santo, graças às suas múltiplas utilidades.

 https://bio-orbis.blogspot.com/2015/02/pau-santo-da-conta-de-depressao-e-de.html
Pau-santo no Cerrado mineiro.

VAMOS DESCOBRIR...

Mas o pau-santo ao qual nos referimos aqui é uma árvore do gênero Kielmeyera, exclusivo da América do Sul. Das 47 espécies conhecidas desse gênero, 45 existem no Brasil e o pau-santo em questão é nativo do Cerrado e tem porte médio, de 3 a 6 metros de altura. Seu nome científico é Kielmeyera coriacea, por conta da casca grossa parecida com couro, com a mesma serventia das cascas do sobreiro ibérico (Quercus suber), usadas há séculos na fabricação de rolhas para garrafas de vinho.

Por baixo da casca grossa, o pau-santo das Gerais de Minas e de outras partes do Brasil Central também tem uma segunda casca, cujo extrato foi analisado pela química Carla de Moura Martins, em seu mestrado em Produtos Naturais pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com orientação de Francisco José Tôrres de Aquino. “Obtive resultados tanto com o extrato alcoólico da casca interna como com o das folhas, mas o da casca interna se mostrou mais promissor, com atividade antimicrobiana e forte atividade antioxidante“, conta Carla.

Ela chegou a realizar a partição do extrato e acredita que a atividade antioxidante esteja associada às xantonas, substâncias da família dos compostos fenólicos. Os antioxidantes são importantes no combate aos radicais livres, associados ao envelhecimento e a danos e morte de diversas células.

O estudo foi realizado entre 2010 e 2012, com recursos da Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (Capes). Agora Carla pesquisa outra planta para o doutorado, mas deve publicar em breve os resultados obtidos com o óleo essencial do pau-santo e ainda pretende aprofundar suas investigações com a planta, num futuro próximo.


Flores de pau-santo - Foto: João Medeiros/ Creative Commons Wikimedia
Outra faceta importante do mesmo pau-santo foi identificada pelos pesquisadores Diógenes Aparício Garcia Cortez e Elisabeth Aparecida Audi, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), no Paraná. Eles descobriram que as tais xantonas são inibidoras da enzima monoaminoxidase, produzida pelo organismo de pessoas em estado depressivo. Essa atividade não tem qualquer registro na medicina popular e gerou uma patente, depositada em nome dos dois pesquisadores.

A enzima “depressiva” monoaminoxidase metaboliza os dois neurotransmissores associados ao equilíbrio emocional: serotonina e noradrenalina. Diversos antidepressivos têm como missão reduzir os níveis dessa enzima para preservar os neurotransmissores. … o que faz o medicamento sintético Prozac, famoso entre famosos. E é também como agem as xantonas do pau-santo, com a vantagem de serem compostos naturais (e de uma planta brasileira).

Produzir um medicamento antidepressivo a partir do pau-santo – desde que a espécie passe a ser plantada e adequadamente manejada pode se tornar uma opção mais barata e com menos efeitos colaterais.

Cortez e Elisabeth trabalham há mais de uma década com a planta. O primeiro é responsável pelos estudos fitoquímicos e a segunda, pelas avaliações neuropsicofarmacológicas. O pau-santo já foi mapeado e particionado e os estudos pré-clínicos comprovaram a atividade antidepressiva. Agora é ter paciência para esperar os ensaios clínicos e a produção comercial de um medicamento tão promissor.

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