sábado, 29 de novembro de 2014

Simpático e furtivo, o tamanduá bandeira

Ameaçado um dos animais mais belos da natureza brasileira, por isso ele tem um dia especial dedicado somente a ele, confiram.

 https://bio-orbis.blogspot.com/2014/11/simpatico-e-furtivo-o-tamandua-bandeira.html
O tamanduá-bandeira é o maior de todos os tamanduás. Sua grande cauda, semelhante à uma bandeira, é responsável pelo seu nome. Quando se recolhe para dormir, o animal a dobra em direção ao corpo e a bandeira vira um cobertor Foto: Fábio Paschoal.

VAMOS DESCOBRIR...

A família Myrmecophagidae é constituída de mamíferos pertencentes à ordem Pilosa, conhecidos popularmente por tamanduás ou papa-formigas. Vivem nas florestas e savanas das Américas Central e do Sul, desde o Belize até a Argentina. Considerado pela IUCN, o Myrmecophaga tridactyla como espécie vulnerável.


Alimentam-se de formigas e principalmente de cupins (térmitas), que retiram dos cupinzeiros com a sua longa língua – chega a ter 50 cm de comprimento – alojada dentro de um focinho também afunilado. Para desfazer os cupinzeiros, os tamanduás têm garras fortes e curvas nas patas dianteiras, que lhes dificultam o andar.

O dia 29 de novembro é o Dia Mundial do Tamanduá (World Tamandua Day). A data foi criada pelo Projeto Tamanduá e o Instituto Jurumi com apoio da IUCN/SSC Anteater e Sloth and Armadillo Specialist Group. O objetivo é obter apoio para a conservação das quatro espécies de tamanduás encontradas no planeta.

tamanduá-mirim, assim como todos os tamanduás, é capaz de se levantar e assumir uma postura bípede. Essa atitude o faz parecer maior e pode intimidar seu agressor. Caso a ameaça persista, o tamanduá abre os braços e mostra suas garras afiadas. Se isso não for suficiente, desfere o abraço mortal. Foto: Cleverson Felix (Acervo Pessoal) .Localidade: Zoológico de Belo Horizonte

O tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) tem um andar desajeitado. Isso acontece porque ele anda nos nódulos dos dedos, assim suas garras nunca tocam o solo e permanecem afiadas para cavar as fortalezas de barro construídas por cupins e formigas (as únicas presas que fazem parte de seu cardápio). Ele é lento, praticamente cego e possui uma audição muito ruim.

A primeira vista parece uma presa fácil. Porém, quando sente uma ameaça o bandeira muda completamente de postura: apoia-se nas patas traseiras, abre os braços, mostra as garras afiadas e espera pacientemente. Se o predador investir, recebe um abraço mortal. Dessa forma pode matar até uma onça-pintada. Por isso, quando você recebe um abraço de uma pessoa que não gosta de você, dizemos que essa pessoa está dando o famoso “abraço de tamanduá”.

Com apenas 40 centímetros, o tamanduaí é o menor de todos os tamanduás. A espécie sofre com a perda e a fragmentação do habitat – Foto: iStock/ Thinkstock
A espécie é encontrada em todos os biomas brasileiros, mas é considerada vulnerável pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês). Segundo Flávia Miranda, doutoranda em zoologia/UFMG e coordenadora do Projeto Tamanduá, a destruição do habitat para a agricultura, as queimadas em regiões de plantação de cana e os atropelamentos nas estradas são as principais ameaças enfrentadas pelo tamanduá-bandeira.

O tamanduá-mexicana, também conhecido como tamanduá-do-norte é a única espécie que não é encontrada no Brasil– Foto: Katja Schulz/Creative Commons
Além do bandeira existem mais duas espécies de tamanduás no Brasil: tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla) e o tamanduaí (Cyclopes didactylus). O tamanduá-do-norte ou tamanduá-mexicana (Tamandua mexicana) possui uma área de distribuição que vai do sul do México, passando pela América Central até o noroeste do Peru e noroeste da Venezuela (veja os espécimes nas fotos acima). 

As 3 espécies estão na categoria pouco preocupante, mas enfrentam as mesmas dificuldades de seu irmão maior. Nada mais justo do que um dia para lembrar a importância de cuidar bem desses simpáticos animais.

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