domingo, 12 de outubro de 2014

As plantas sentem o polo magnético da Terra?

Sabemos que alguns animais são capazes de detectar e usar o campo magnético da Terra para se orientar, mas segundo pesquisadores italianos, as plantas também reagem a ele.

 https://bio-orbis.blogspot.com/2014/10/as-plantas-sentem-o-polo-magnetico-da.html

Eles sugerem que os saltos evolucionários das plantas – sobretudo o surgimento e a proliferação das angiospermas – coincidem com períodos em que as alterações dos pólos magnéticos eram semelhantes às de hoje.

“Em comparação com estudos em animais, sabemos muito pouco sobre a recepção magnética das plantas, embora os primeiros estudos sejam de 70 anos atrás”, explica Andrea Occhipinti e seus colegas da Universidade de Turim, em um artigo publicado na revista Trends in Plant Science.

Alguns estudos sugerem que as plantas, de fato, reagem tanto a campos magnéticos fortes como fracos, mas os experimentos são difíceis de reproduzir, deixando muitas perguntas sem resposta, segundo os pesquisadores.

Os segredo da detecção de campos magnéticos está em uma proteína receptora da luz azul chamada criptocromo, presente nos olhos das aves. Acredita-se que essas proteínas sejam ativadas pela luz, quando se tornam sensíveis a campos magnéticos.

Como as mesmas proteínas foram encontradas em plantas, elas teoricamente permitiriam que elas reajam a campos magnéticos. A grande pergunta é: para que serviria essa capacidade? Afinal, as plantas não migram.

“É provável que as plantas não percebam o campo magnético da Terra”, afirma o físico Ilia A. Solov’yov, da Universidade do Sul da Dinamarca. O pesquisador estuda os criptocromos, que são bastante comuns e existem também nos seres humanos.

“Tanto em plantas como em seres humanos, as funções dos criptocromos provavelmente são as mesmas, e a orientação espacial não é uma delas”, explica o pesquisador. A evolução deixa rastros pelo caminho – como o apêndice, o dedo mínimo e os dentes do siso -, que ganham novos usos ou desaparecem.

Uma função possível dessas proteínas seria ajudar as plantas a reagir a certos elementos afetados por campos magnéticos, como algumas formas de cálcio, sugere Occhipinti. Por enquanto, há mais perguntas que respostas.


"Por que as plantas regulariam seus processos fisiológicos em resposta à variação do campo magnético global? Como ele afeta o desenvolvimento das plantas? Os mecanismos biofísicos relacionados aos criptocromos desempenham um papel na recepção magnética?”, indaga o pesquisador.

E quanto às alterações no campo magnético da Terra? Elas teriam alguma coisa a ver com a evolução das plantas? ”Alguns autores sugerem que, durante as inversões geomagnéticas, os seres vivos são mais expostos a radiações cósmicas intensas e à luz UV”, responde Occhipinti. Teoricamente, isso causaria mais danos ao material genético, ocasionando mais mutações que, por sua vez, poderiam acelerar a evolução de novas espécies.

A equipe de Occhipinti analisou a história magnética da Terra e observou um padrão nas plantas com flores (angiospermas), que surgiram há cerca de 136 milhões de anos.


Os pesquisadores descobriram que, durante os períodos em que o campo magnético da Terra era como o atual (com a bússola apontando para o norte), surgiram mais famílias de angiospermas que nos períodos de reversão dos polos magnéticos.

“Em comparação com outras plantas, essa correlação parece ser particularmente relevante nas angiospermas”, destaca Occhipinti. É claro que outros fatores poderiam explicar esse fato, como as mudanças climáticas globais ou o surgimento de gramíneas como plantas dominantes, ambos associados ao resfriamento global e às secas.

Segundo Occhipinti, a questão é que o campo magnético da Terra e a recepção magnética podem ser fatores relevantes para a evolução das plantas. Portanto, valem a pena ser investigados.

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