sexta-feira, 30 de maio de 2014

Tatu-canastra: o engenheiro oculto

As obras do tatu-canastra mudam a paisagem do Pantanal. Mas ele nunca era visto em ação – até ser flagrado por armadilhas fotográficas.

 https://bio-orbis.blogspot.com/2014/05/tatu-canastra-o-engenheiro-oculto.html
Com até 1,5 metro, o tatu-canastra é o maior tatu brasileiro. Ele trabalha de madrugada, cavando túneis, que beneficiam aves, répteis e outros mamíferos.

VAMOS DESCOBRIR...

Poucos animais escapam aos olhos de um peão pantaneiro. Esteja a pé, a cavalo ou na carroceria de um veículo 4x4, quem cresceu no Pantanal Mato-Grossense e vive na lida do gado está acostumado a focar pequenos movimentos na vegetação e identificar a espécie – antes mesmo de qualquer turista perceber a presença do bicho.

Somente o tatu-canastra é capaz de cavar túneis de 35 centímetros de diâmetro e até 5 metros de comprimento.
Apesar dessa habilidade, nenhum trabalhador da Fazenda Baía das Pedras, no município de Aquidauana, Mato Grosso do Sul, sabia que na região viviam pelo menos 14 tatus-canastra (Priodontes maximus), todos eles bem ativos. Alguns peões até acreditavam que ele estivesse extinto na região, pois ouviam histórias de caça de seus pais e avós, mas jamais toparam com um desses gigantes de armaduras. Nem mesmo durante as comitivas, quando conduzem o gado para leilão e pernoitam a céu aberto. É algo surpreendente – registros do tatu-canastra no Brasil mencionam espécimes de até 1,5 metro de comprimento, 60 centímetros de altura e 60 quilos. As garras dianteiras, em forma de foice, podem ter 20 centímetros de comprimento.

Antes de sair da toca, o tatu-canastra investiga com o olfato apurado. Apesar da falta de informações atualizadas sobre sua distribuição geográfica, a espécie pode ser encontrada desde a Venezuela até o norte da Argentina, incluindo boa parte do território brasileiro.
Apesar do comportamento esquivo da espécie, uma alteração na paisagem sempre intrigou os pantaneiros: os buracos, que surgem por toda parte. Foi preciso que o zoólogo francês Arnaud Desbiez identificasse seus construtores para os peões perceberem como estavam cercados de sinais da presença do grandalhão. Nenhum dos outros tatus é capaz de cavar túneis com 5 metros de extensão e 35 centímetros de diâmetro.

Seu estado de conservação é vulnerável pela lista vermelha de espécies ameaçadas de extinção da IUCN.

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